PESQUISA

Minhas áreas de interesse são: filosofia da linguagem, filosofia da lógica e da matemática, filosofia da mente, epistemologia, metafísica, Frege e Wittgenstein. Atualmente estou envolvido nos seguintes projetos:

Grupos de Pesquisa

Filosofias da Experiência (UFPR)
Coordenador: Luiz Antonio Alves Eva

Grupo de Estudos em Metafísica, Epistemologia, Linguagem e Lógica (UFSM)
Coordenadores: Rogério Fabianne Saucedo Corrêa, Rogério Passos Severo

Mente, Realidade e Conhecimento (UFBA)
Coordenador: Waldomiro José da Silva Filho

Semântica e Filosofia da Lógica (UFGO)
Coordenador: André da Silva Porto


Formalização

Critica da concepção de forma lógica e de formalização de Christopher Gauker, suposta na sua crítica à validade formal da instanciação universal em linguagem natural. Gauker defende suas teses em “Universal Instantiation: A Study of the Role of Context in Logic” (Erkenntnis, vol. 46, n. 2, 2004)


Negação e proposições da lógica no Tractatus de Wittgenstein

Compatibilização de duas teses do Tractatus: (1) a negação inverte o sentido de uma proposição; (2) as proposições da lógica não têm sentido. Um primeiro resultado já foi apresentado em no Colóquio de Filosofia das Ciências Formais.


Wittgenstein, Dummett e o debate contemporâneo sobre o realismo

Projeto financiado pelo Edital Ciências Humanas, do CNPq.

A pesquisa apresentada no presente projeto visa dar continuidade a uma pesquisa que desenvolvi junto à UFRGS com o apoio do CNPq, através de uma bolsa de Recém-Doutor, entre 2004 e 2005 (ver Currículo Lattes). A pesquisa de Recém-Doutor tinha como objetivo principal analisar criticamente as reflexões de Wittgenstein sobre a natureza de uma prova matemática. Esse objetivo exigia um extenso tratamento de questões semânticas e metafísicas que giram em torno do conceito de verdade e de suas relações com o conceito de conhecimento e realidade ou mundo. Essas questões são geralmente referidas como as questões do debate sobre o realismo, isto é, o debate entre os defensores e críticos do realismo filosófico. Dado que se pode fazer uma distinção entre realismo metafísico, uma tese sobre a natureza da realidade ou mundo, e o realismo semântico, uma tese sobre a natureza das propriedades semânticas ― tal como a verdade ― da linguagem que usamos para descrever a realidade ou mundo, uma pergunta se impôs logo de início: qual é a relação lógica entre esses dois tipos de realismo? O realismo metafísico diz que a realidade é independente de nós, tanto ontologicamente, ou seja, no que se refere à existência, quanto epistemicamente, isto é, no que se refere ao conhecimento. O realismo semântico, no que respeita a verdade, diz que a verdade é essencialmente não-epistêmica, ou seja, independente do nosso conhecimento. A questão central que nos interessa é, portanto, se o caráter não epistêmico da verdade implica a independência ontológica e epistêmica da realidade e vice-versa. Em outras palavras, a questão é saber se o realismo metafísico é ou não equivalente ao realismo sobre a verdade. A motivação fundamental para essa questão é avaliar um princípio metodológico que orientou um movimento filosófico do séc. XX algumas vezes denominado “virada lingüística” ou “giro lingüístico”. Trata-se do princípio, algumas vezes atribuído a Wittgenstein, segundo o qual os problemas filosóficos, em especial os problemas metafísicos, podem ser interpretados como problemas sobre a linguagem. Nos últimos trinta anos, esse princípio metodológico foi duramente criticado por vários filósofos (Michael Devitt, Richard Kirkham, e Paul Horwich, p.ex.). Essas críticas geralmente se dirigem à obra de Michael Dummett, que defendeu explicitamente uma versão da virada lingüística em muitos escritos e influenciou a formulação e, portanto, o tratamento de vários problemas semânticos e metafísicos, em especial aqueles referentes ao debate sobre o realismo (cf. Wright, 1993). A avaliação das críticas a Dummett é importante para compreender a posição de Wittgenstein porque há reflexões nos seus escritos que parecem muito semelhantes aos assim chamados desafios semântico para o realismo, lançados por Dummett. Trata-se das reflexões de Wittgenstein sobre a relação entre a normatividade do significado e a verdade. Dada essa aparência ― que de resto Dummett não procura esconder, pois cita Wittgenstein como uma influência ― talvez as críticas a Dummett atinjam Wittgenstein também. Impõe-se, portanto, uma investigação para avaliar o grau de veracidade dessa aparência e, portanto, para determinar se Wittgenstein teria que responder a essas objeções. No projeto de Recém-Doutor supracitado, um primeiro passo no tratamento dessas questões foi dado. Examinei a posição de Dummett e as críticas a ela dirigidas por Horwich e Michael Devitt, tendo apresentado alguns resultados em eventos de filosofia. A pesquisa proposta nesse projeto destina-se a continuar essa investigação, examinando, primeiramente, as reflexões de Wittgenstein sobre a relação entre a normatividade do significado ― concentradas principalmente nas suas assim chamadas considerações sobre seguir uma regra ― e a verdade, entendida como o objetivo primitivo do ato de asserir, e comparando essas reflexões com os desafios semânticos para o realismo formulados por Dummett. Por fim, a pesquisa visa determinar se Wittgenstein é ou não alvo das críticas dirigidas aos pressupostos de Dummett e, em caso afirmativo, se Wittgenstein teria uma resposta satisfatória a essas críticas.


Wittgenstein e a Natureza da Prova Matemática

Projeto de pesquisa financiado com uma Bolsa de Recém-Doutor pelo CNPq, desenvolvida junto à UFRGS até julho de 2005 e posteriormente desenvolvida junto à UFBA. Leia aqui a versão completa do projeto.

Essa pesquisa visa analisar e avaliar criticamente a concepção wittgensteiniana de prova matemática exposta principalmente em duas de suas obras maduras póstumas: as Observações sobre os Fundamentos da Matemática e as Lições sobre os Fundamentos da Matemática. Ela tem relações com as seguintes áreas da filosofia: (1) Filosofia da lógica. Trata-se de examinar a natureza da relação entre as premissas e a conclusão de uma prova matemática bem como a natureza da necessidade das proposições matemáticas. Além disso, faz-se necessário examinar a afirmação de Wittgenstein de que um sistema de proposições que contenha uma contradição oculta é “tão bom quanto ouro”, o que coloca em xeque a necessidade de provas de consistência e o modo tradicional de se avaliar o valor de sistemas contraditórios de proposições. (2) Epistemologia. Trata-se de uma análise da natureza da prova matemática, isto é, um meio de justificar a verdade matemática. Wittgenstein se esforça para mostrar que um cálculo não é um tipo de experimento. Um problema para a sua filosofia da matemática consiste em mostrar como são possíveis os problemas matemáticos. Ele também sustenta que as provas matemáticas devem ser “abrangíveis” (unübersehbar), o que retira o estatuto de prova de certas construções simbólicas muito longas formuladas na notação do Principia Mathematica de Russell. (3) Filosofia da linguagem. Wittgenstein baseia suas análises da natureza da prova matemática fortemente na noção semântica de critério, na medida em que, para ele, uma prova matemática introduz um novo critério para um conceito matemático, modificando-o. Além disso, a compreensão da concepção wittgensteiniana de prova matemática depende de uma compreensão das suas reflexões sobre o conceito de seguir uma regra, pois seguir os passos de uma prova matemática é seguir as regras que autorizam a transição de uma proposição matemática ou mais (as premissas) para outra (a conclusão). (4) Metafísica. Um dos objetivos das análises de Wittgenstein é mostrar que é um equívoco supor, como fazem os psicologistas ou mentalistas e platonistas, que as proposições matemáticas são verdadeiras ou falsas porque representam um tipo especial de fatos; que os numerais referem-se a entidades cujas propriedades elas possuem independentemente do nosso conhecimento; que, portanto, a verdade das proposições matemáticas é independente da nossa capacidade de reconhecê-la (se a tivermos).